“O segredo de Xangai” para a excelência na Educação Básica

EducaçãoBásica EnsinoFundamental ExperiênciaInternacional Formação 14 de junho de 2018

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No último dia do mês de maio, comecei uma viagem de longas horas desde Recife até Xangai, a maior cidade da China. Na mala, levava expectativas altas, medos sobre o choque cultural e uma curiosidade grande sobre a cidade que foi, em 2012, o primeiro lugar geral nos exames do PISA (Programme for International Student Assessment), realizados a cada três anos pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), entidade formada por governos de 30 países que têm como princípios a democracia e a economia de mercado. Países que não são membros da OCDE também podem participar do PISA, como é o caso do nosso Brasil, convidado pela terceira vez consecutiva a aplicar os exames, o que aconteceu em maio de 2018.

A cidade de Xangai experimenta avanços econômicos e sociais altíssimos desde 1990. Em particular, na Educação, os índices de crescimento chamaram a atenção do Banco Mundial, que emitiu relatório sobre “o segredo de Xangai” em 2016, numa escrita conjunta com professores do departamento de Educação da Shanghai Normal University.

E foi justo para esta Universidade que eu fui. Fiz parte de uma delegação de 14 líderes educacionais brasileiros, dos setores público e privado, liderada por Alexandre Santos, pesquisador do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e coordenador da Frente Nacional pela Qualidade na Educação.

Conheci uma escola de ensino fundamental, Qiangwei Primary School e lá pude observar aulas e conversar com alunos, professores e direção. Saltou aos meus olhos o fato de que não há reprovação em Xangai. Eles até tiveram dificuldade para entender o sentido de reprovar. Há avaliações formativas contínuas ao longo do ano. Os diretores assistem às aulas, um colega mais experiente observa e dá feedback aos professores menos experientes e, assim, todos constroem um ecossistema sustentável de desenvolvimento profissional. Como resultado, os alunos são acompanhados de perto e, assim, a aprendizagem se dá de forma quase orgânica.

O que eu trago na bagagem? A descoberta de que, em Xangai, o “pensar fora da caixa” não é um caso de inovação. Para eles, não há caixa. Há esforço, foco e autogestão. O senso de propósito é presente em todos.

E depois os ditos “abertos” somos nós, né?

Nós que ainda prendemos os alunos numa escala de 0 a 10 e nos perdemos em elucubrações sem sentido, ou em um tecnicismo castrador da curiosidade humana.

A foto foi tirada por mim, de dentro de um ônibus, ao voltar da Universidade no meio de uma tarde de dia letivo em Xangai.
Raquel Oliveira

Raquel Oliveira

Raquel da Silva de Oliveira trabalha em Educação há mais de duas décadas. É uma curiosa nata e apaixonada por ser uma carpinteira de ideias neste planeta azul.

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