Sobre “O segredo de Xangai”

AtmosferaEscolar EducaçãoBásica opinião 29 de junho de 2018

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Ao ler o texto de Raquel Oliveira “O segredo de Xangai” neste Blog o que mais me chamou a atenção foi sua conclusão:

O que eu trago na bagagem? A descoberta de que, em Xangai, o “pensar fora da caixa” não é um caso de inovação. Para eles, não há caixa. Há esforço, foco e autogestão. O senso de propósito é presente em todos.

Inovação, escola inovadora, inovação em educação. Tanto se fala em inovação! Mas, o que significa mesmo inovar?

E vou buscar no dicionário Aurélio – aquele volume grande, impresso em 2008, em sua 4ª edição – seu significado. Inovação: ato ou efeito de inovar; novidade.

Em Educação, a expressão inovar, me parece, tem se revestido de um valor inexorável, no sentido de que inovar significa sempre superar algo que é inadequado e obsoleto; mudar para melhor.

E como mudar sem “pensar fora da caixinha”? Eu mesma sempre pensei dessa forma!

E aí, vem a Raquel e me conta que “não há caixa”!

Fiquei pensando nas tais caixinhas e imaginei a seguinte situação:

Na escola A há uma caixa chamada avaliação. Nela, há calendários de semanas de provas, notas de 0 a 10, provas mensal e bimestral/trimestral, exames finais, boletins, e até mesmo um tratado sobre o que os pais esperam da avaliação nessa escola anexado à lista do ranking do Enem etc.

Na escola B, também há uma caixa chamada avaliação. Não há calendários de semanas de provas, nem notas de 0 a 10, nem provas e exames. Mas há objetivos relacionados às habilidades e competências dos alunos e seus professores, há reflexões sobre os dilemas e julgamentos de cada professor. Podemos encontrar nessa caixa também referências de estudiosos sobre o assunto, teoria e leis que subsidiam a prática avaliativa nessa escola, entre tantas outras coisas.

Mesmo sendo duas caixas sobre o mesmo assunto, elas têm conteúdos tão diferentes! E, como se elas fossem tesouros que precisam ficar devidamente guardados a sete chaves, dificilmente alguém as abre.

Acredito que aí está o maior desafio das escolas que querem inovar: abrir suas caixinhas para ver o que têm dentro e selecionar o que pode ser mudado. E qualquer que seja a ação da escola A ou da escola B, se for no sentido de trazer algo novo, elas estarão inovando.

Talvez este seja o primeiro passo para eliminarmos as tais caixinhas desse jogo.

Pelo menos eu vou começar a pensar assim, daqui pra frente: eliminar as caixinhas. Valeu Raquel, valeu UNOi!

Marcia Braghini Deus Deu

Marcia Braghini Deus Deu

Educadora com mais de trinta anos de experiência, é avessa ao comodismo. Sua paixão pela educação se traduz na coragem para sempre inovar.

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